Institucional

Avifauna

Avifauna no IMPA e entorno

Gabriela Heliodoro
Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Com grande variedade de aves, cerca de 1800 espécies, o nosso país tem um colorido especial para ornitólogos e admiradores de pássaros. Nós, aqui no Rio de Janeiro, contamos com cerca de 600 a 700 espécies.

Nesse aspecto, a localização do IMPA é singular: entre o Parque Nacional da Tijuca (PNT), com área de mata bem conservada e grande refúgio de espécies, e o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, esse lugar edílico, com todas as suas espécies de plantas, flores e frutos. Imagine a quantidade de aves que não se sente atraída por esses recursos todos? Os últimos levantamentos no JBRJ apontam para cerca de 200 espécies, dentre as migratórias, residentes e aquelas que nunca pousam, mas passam pelo alto. Dessas, com sorte, e sem um esforço de campo assim tão intenso, a maioria poderá ser vista no IMPA que, por estar assim, nesse umbigo de mata, tornou-se um ponto chave para nidificações e é rota de muitas espécies.

As aves são a parte da vida selvagem que podemos observar com mais facilidade: são, em sua maioria, diurnos como nós; cantam e vocalizam habitualmente, e voam... Podemos vê-los sem tocaias e sem técnicas especiais. São, cada espécie de uma forma, um indicativo importante de saúde ambiental. Seja para a qualidade da área, quando avistamos e ouvimos espécies mais tímidas, quanto para a degradação, que atrai aves bem adaptadas ao convívio e utilização de meios urbanos. Despertam o interesse de leigos e cientistas, seja pela beleza, pela ecologia, pelos comportamentos, pelo canto ou pelo sonho inerente de voarmos.

Algumas aves bem comuns podem ser avistadas sem, realmente, nenhum esforço. Bem-te-vis e sabiás (dos mais comuns laranjeiras até os mais diferentes) estão sempre à vista em pátios e mesmo sobre mesas em uma varanda de refeitório. Somam-se a eles, nessa área, o joão-de-barro, a lavadeira-mascarada, o suirirí-cavaleiro, o canário-da-terra-verdadeiro, coleirinhos, cambaxirras, diminutos piolhinhos, andorinhas, sanhaçus, tico-ticos, gaturamos, biquinhos-de-lacre, as coloridíssimas saíras e, ó, Deus, tantas espécies, para citar apenas os passarinhos...

Quando prestamos atenção aos sons, destacam-se os periquitos, maritacas e semelhantes. Sua vocalização estridente e seu hábito gregário são notáveis em bandos alegres. Outro que denuncia sua posição com a voz é o gavião-carijó. Noite adentro, as vocalizações de corujas e bacuraus podem assustar os mais suscetíveis. E até os mais corajosos.

Ocos de árvore não serão tão diferentes de frestas no telhado ou espaços na alvenaria na hora de construir um ninho. Muitas espécies utilizam as construções humanas para abrigo, sendo necessário cuidado para o manejo e manutenção. As maritacas, por exemplo, adoram um sótão. A maioria das assombrações pode ser uma ave ou um bicho, escondidos no forro...

Personagem famoso e belo dessas bandas, o tucano-de-bico-preto quase foi extinto no município. Sua reintrodução, realizada na década de 1970, mostrou-se extremamente bem sucedida. Hoje podemos ver seu voo improvável, carregando aquele majestoso bico, e ouvir sua vocalização recheada de ‘erres’ por toda a área, desde a zona Sul até a Barra da Tijuca.

Quem olha para o céu em um ponto onde se vê o azul poderá ver em voo aves que nunca, ou quase nunca, pousam: fragatas cortam o céu da cidade toda, em direção ao mar. Urubus, esses injustiçados, dividem o céu com belos carcarás. Em qualquer promontório pode estar um gavião ou um falcão, prontos para a caça.

E quando olhamos para cima em um ponto encoberto pelas árvores notamos, com paciência e olhos curiosos, um número de aves que, quanto mais vezes olharmos, mais poderemos contar: A observação é um treino. Quanto mais olhamos e procuramos conhecer, mais conseguimos perceber, nomear e ouvir. Observar aves é um exercício prazeroso, um treino, um estudo alegre e um desafio sempre recompensado. Pica-paus, arapaçús sempre atrás dos macacos prego, garças elegantes, rolinhas das comuns e das selvagens, almas-de-gato, silenciosas e discretas; beija-flores ocupadíssimos. Um arbusto pode ser um mundo...


alma-de-gato

arapaçu-grande

bem-te-vi

bem-te-vi

bico-de-lacre

caracará

caracará

coleirinho

falcão-de-coleira

fragata fêmea

garça-branca-grande

gaturamo-verdadeiro macho e fêmea

gavião-carijó

lavadeira

saíra-sete-cores

suiriri-cavaleiro

suiriri-pequeno

tico-tico

tucano-de-bico-preto

Fotos por Luis Florit/todos os direitos reservados.

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